Minas de Castromil

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Da autorização prematura, à revolta dos Sobreirenses

Quase todos os Sobreirenses sabem que as minas de ouro de Castromil estiveram para ser reutilizadas à cerca de 6 anos, nessa altura o desconhecimento da população da Sobreira em relação às consequências de possí­vel exploração, embora combatido com alguns debates (estou-me a lembrar do que decorreu na Escola E.B. 2,3 da Sobreira e que teve gravações televisivas), imperava e tornava a manipulação de informação demasiado fácil para quem a quisesse praticar. O Sobreira.net foi à procura de informações precisas sobre o que se passou e o que se poderia passsar. Eis o resultado dessas pesquisas:

  • As minas de Castromil foram inicialmente exploradas pelos Romanos e encontram-se abandonadas desde 1940.
  • A empresa que se proponha a explorar a zona em 97/98 é a empresa irlandesa Minmet Plc associada com a Connary Minerals que detêm também a exploração de algumas minas no Brasil.
  • As negociações com o governo Português estiveram quase a serem concretizadas segundo um site britânico (neste artigo), refere que um representante do Ministério da Economia Português dava como certa a licença de exploração dentro de poucas semanas.
  • Após estas notí­cias várias associações ambientais e cientifí­cas deslocaram-se a Castromil para avaliar as condições de exploração da respectiva mina. Os resultados das observações de um dos intervenientes, a Faculdade de Ciências do Porto, estão disponí­veis aqui e os resultados do impacto ambiental são esclarecedores:

"A exploração de jazigos minerais acarreta diversos problemas ambientais. São de salientar a contaminação de águas superficiais e subterrâneas, a alteração da morfologia e da paisagem, a poluição atmosférica e sonora e o empobrecimento e contaminação dos solos. Além disso, da exploração de minas podem surgir consequências ao ní­vel da saúde pública e do património cultural (Castromil, 1998).
Em particular nas minas de Castromil, foram efectuados estudos de impacte ambiental, no intuito de estudar a viabilidade do projecto de exploração mineira pela Connary Minerals (Dezembro de 1997). Neste estudo foram analisadas as condições ambientais da área antes da abertura da mina e foi feita uma previsão dos impactes positivos e negativos no ambiente provocados pela exploração do jazigo (ver figura 1). Foram também sugeridas medidas para diminuir ou eliminar os impactes negativos e aumentar os efeitos dos impactes positivos (Castromil, 1998).
"

Ainda segundo o mesmo estudo:

"Impactes Positivos

- Redução da poluição dos solos
- Criação de emprego
- Melhoria dos acessos
- Recuperação paisagí­stica de uma zona de floresta degradada
- Redução da presença de águas contaminadas
- Aumento do valor dos terrenos
- Diminuição das importações de ouro no paí­s
- Aproveitamento de um recurso natural

Impactes Negativos

- Modificação da topografia
- Criação de um aterro de resí­duos no local
- Impacte visual
- Possibilidade de contaminação residual

Como reacção a este estudo de impacte ambiental, a população de Castromil elaborou um documento ("Exposições e reclamações da população de Castromil" - 30 de Março de 1998) onde apresentou as razões que levaram à oposição ao projecto de exploração da mina de ouro proposto pela Connary Minerals."

E a resposta da população da Sobreira:

"Como reacção a este estudo de impacte ambiental, a população de Castromil elaborou um documento ("Exposições e reclamações da população de Castromil" - 30 de Março de 1998) onde apresentou as razões que levaram à oposição ao projecto de exploração da mina de ouro proposto pela Connary Minerals.

Neste documento são descritas algumas das crí­ticas da população aos impactes positivos descritos no estudo de impacte ambiental.

Relativamente às medidas propostas para reduzir a poluição dos solos existem muitas lacunas, no que se refere ao tratamento das partes actualmente contaminadas ou a contaminar (Castromil, 1998).

No que concerne ao factor emprego, o aumento dos postos de trabalho propostos pela Connary Minerals é feito à custa da ocupação de terrenos agrí­colas, o que iria inviabilizar a actividade profissional da população local que se dedica à agricultura (Castromil, 1998).

No que se refere à melhoria dos acessos, não é contemplado o aumento da intensidade de tráfego e da degradação das vias rodoviárias, provocados pela circulação de máquinas necessárias para a exploração (Castromil, 1998).

As medidas apresentadas pela empresa para a recuperação da paisagem foram insuficientes já que a exploração das minas diminui a área verde, essencialmente da zona de Reserva Ecológica Nacional e de Reserva Agrí­cola Nacional, aumenta a erosão e diminui a capacidade de regeneração da vegetação (Castromil, 1998).

Para a população, a redução da contaminação das águas (superficiais e subterrâneas) proposta pela Connary Minerals parece um pouco contraditória, porque a abertura de galerias e a construção de escombreiras parece alterar o curso das águas superficiais e o caudal subterrâneo. Além disto, a contaminação quí­mica da água superficial e dos aquí­feros pela descarga de efluentes e pelos óleos e hidrocarbonetos utilizados na manutenção das máquinas não contribui para a redução da contaminação das águas (Castromil, 1998).

Apesar de se aproveitar um recurso natural para a exploração da mina, haveria o risco de esta exploração não ter resultados económicos significativos e, além disso, seria feita à custa da destruição de outros recursos naturais (como a vegetação) (Castromil, 1998).

Este documento faz, ainda, referência à perda do valor dos terrenos na zona devido à alteração da paisagem e ao aumento dos ní­veis de poluição atmosférica, sonora e das águas (Castromil, 1998)."

E se iní­cio era esclarecedor o final não fica atrás, uma conclusão directa e objectiva:

 

"As medidas apresentadas pela Connary Minerals não foram suficientes para que o projecto de exploração das minas fosse viável, tendo sido recusado pelo Ministério do Ambiente."

 

Mais uma vez a população da Sobreira mostrou o que é capaz de fazer quando se une em prol de uma causa. Bem-hajam aqueles que não se deixam corromper e continuam fiéis às suas origens!

 

Espero que este artigo seja esclarecedor e dê a tónica para futuras "batalhas" em prol do desenvolvimento sustentado da nossa vila. Gostava de saber o que pensam do assunto aqui tratado, usem os comentários para expressar a vossa opinião.

 

André Pinto

Sobreira.net - a Sobreira Online - um Povo com Futuro

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Comentários

rra ninguém vê o que se passa junto ao Parque das Merendas, porque não lhes interessam, se fossem a, b ou c a fazê-lo estavam tramados, mas como é a Filcor, deixasse andar... Porque será???

Já que se fala em ambiente Seremos obrigados a ouvir o CAGAÇAL que fazem os sinos da inacabada igreja até altas hoas da noite? é claro que só chateia a quem vive perto mas, bastaria ser só uma pessoa incomodada, para se mandar calar aquel tenda, no entanto até chateia muita gente... hoje em dia até o pessoal que anda no,campo tem consigo a mais recente tecnologia de cominicação para que os relógios das igrejas sejam considerados inuteis e obsoletos... Para quem gosta de ouvir o 13 de Maio, das 8 às 20 horas chega muito bem... dá para ouvir 24 vezes por dia...

Bem, em estudo na vossa área, bem bonita por sinal refiro-vos que têm um património riquí­ssimo em aspectos geológicos, não só pela visí­vel falha junto à linha de comboio como por minerais encontrados nessa zona falando simplificadamente e dando alguns exemplos. Antigas galerias romanas de exploração de ouro, cuja exploração já poderia ter sido realizada anteriormente a estes. Uma mina de exploração de ouro feita nos dias que correm teria que ser obviamente a céu aberto para minimizar alguns custos e claro alguns problemas como barulho, possí­vel contaminação de + águas,.. efeitos que iriam tentar ser minimizados por ser um megaprojecto e bastante rentável já que o nosso paí­s passa por crises devastadoras e claro, emprego para muitas pessoas pois iria demorar dezenas de anos até que a exploração acaba-se. No entanto, compreensivelmente, moradores e empresas de impacte ambiental opuseram-se a tal. Apesar de tudo é necessário que fiquem conscientes que a vossa batalha contra a exploração decerto não terminou por ali e isso virá à baila ainda até que aconteça decerto pois tem reservas não só de ouro (associado ao ouro estão outros minérios) bastante rentáveis como referido. Já em oposição, sugeria que fizessem estudos nas águas e arredores da fábrica existente junto ao rio pois liberta imensos fumos negros, de odor altamente desagradável e parece ter um género de "tanques" isolados por plástico. Pergunto-me porque deixam isto continuar, já que não é de hoje! É desagradável para vocês moradores principalmente e correm riscos elevados de terem aquí­feros altamente poluí­dos e fazerem uso de água e comeram produtos que tiram da terra altamente contaminados, coisa que decerto não querem nem para vocês nem familiares pois poderão estar a correr no futuro riscos de contrairem doenças bem piores vos garanto do que com uma exploração já que não contêm as minas radioactivos. Têm imensas empresas ambientais ao vosso dispor, nomeadamente a quercus que poderá interceder a favor não só da vossa saúde como da beleza da vossa região.

 

atenção que os ditos "Tanques" são enormes valas abertas por escavadora na terra e não têm qualquer resgurdo de plástico, são fossas sumidouras o que agrava sobremaneira o problema. abraço e bom ambiente...